terça-feira, 5 de agosto de 2014

A ética em um mundo competitivo

A ética pode ser definida como a parte da filosofia que trata da moral e obrigações do homem. É o estudo dos costumes considerados como moralmente certos ou errados. Todos nós nos deparamos com dilemas morais todos os dias. Mas o que é o certo e o errado? Certo é qualquer ato que seja coerente com as normas da moralidade, equitativo e justo. 

Nestes últimos anos, a discussão sobre ética vem ganhando espaço nas empresas, instituições de ensino, órgãos públicos, meios de comunicação e organizações não governamentais em nosso país. Com o advindo do processo de globalização da economia, os avanços tecnológicos, maior acesso ao mundo das informações e consequentemente um consumidor mais atualizado e crítico, iniciou-se um processo de maior exigência e fiscalização da sociedade em relação ao comportamento ético das organizações. Os recentes escândalos financeiros em corporações estrangeiras ou não, levaram a população a verificar quais as relações estabelecidas entre as organizações e seu público, sejam funcionários, clientes, fornecedores, governo, imprensa, concorrentes, comunidade/meio ambiente. Nunca se exigiu tanto em relação ao comportamento da organização a ter uma conduta socialmente responsável, que mais do que um diferencial é uma questão de sobrevivência para manter uma imagem positiva no mercado. 

A falta de ética causa muitos prejuízos as empresas uma vez que os próprios funcionários pactuam com a empresa, por vezes, a necessidade de pagar propinas, de não dizer a verdade, mentir ou omitir algo, além de ter preços diferentes para clientes que compram em quantidades e condições iguais.  As pressões por resultados e pela concorrência muitas vezes obrigam o profissional a afrouxar em algumas normas éticas, pois ele é medido por resultados alcançados tendo que suportar a exigência do mercado, metas audaciosas para cumprir, sendo obrigado a vender para sustentar-se e garantir o seu emprego. Isto não é fácil de ser manejado. 

O mundo capitalista e a sociedade consumista nos empurram tendem a nos empurrar para a desonestidade. Aumentar uma nota para compensar outros gastos, incluir gastos com diversão, prometer ao cliente algo que não possa ser cumprido e achar que tudo isto é uma conduta normal. O profissional, empregado ou não, precisa ter uma norma de conduta ética a ser seguida. Este é um valor importantíssimo para o vínculo com os clientes e buscar sua lealdade, pois ajustam seu desempenho aos princípios morais da conduta humanas geralmente aceitas pela sociedade e por ele mesmo. Fácil de imaginar que ela tem um peso significativo em seu desempenho frente aos clientes. Felizmente, as organizações concluíram que hoje, a sua credibilidade é conquistada apenas com uma prática efetiva de valores éticos no respeito ao consumidor, meio ambiente, comunidade e uma transparência de relações nos seus mais diversos públicos. 

Não basta que as empresas apresentem produtos e serviços com qualidade, elas devem mostrar que estão engajadas na proteção do meio ambiente contribuindo para o desenvolvimento social e atuando com responsabilidade. Dessa maneira, não são apenas empresas legais, mas tem sua legitimidade endossada pelo consumidor e comunidade, fortalecendo assim sua governança corporativa com uma ética empresarial baseada e praticada em valores. A atitude ética não se verifica apenas em projetos socialmente responsáveis, mas através de um comportamento ético que permeie todos os processos decisórios da empresa. Todos têm papel preponderante como agente na disseminação desta transparência ética em sua corporação. 


O mundo está mudando, e hoje, com a concorrência acirrada, apenas a qualidade de um produto ou serviço não é mais o suficiente. A ética tornou-se um diferencial competitivo. A relação que deve ser estabelecida com o comprador é de cooperação mútua. De parceria. O comprador deve ser surpreendido positivamente com a conduta do profissional que representa a organização no decorrer de toda a transação comercial. A ética pode não ser o caminho mais rápido para o sucesso, porém sem ela o fracasso é eminente. Agir dentro das normas morais implica em realizar boas práticas de convivência entre todos, e a médio e longo prazo, dará melhores retornos econômicos. Temos na reflexão de Samuel P. Ginder uma grande lição: “Se o comportamento ético fosse simplesmente seguir as regras, poderíamos programar um computador para ser correto”. A nossa atitude é que determinará a altitude que iremos alcançar. A conduta ética hoje é uma questão de sobrevivência, não apenas em sua área comercial, mas de toda a empresa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário